quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O segredo das joias

Quando alguém se apaixona, seu olhar ganha um brilho especial parecido com o de una pedra preciosa. Quanto maior o sentimento da pessoa, mais valiosos são seus olhos.
Conheço um rapaz que costumava colecionar olhares. Estava sempre cercado de Topázios, Ônix e até mesmo de Safiras e Esmeraldas.
Nunca entendi o porquê dele precisar de tantas joias. Também nunca soube como ele administrava tantas jóias.

O que eu não sabia é que aqueles olhares não eram mais do que bijuteria para ele.
As pedras que ele queria não estavam ao seu alcance. Não por serem de outra pessoa, não, mas por ele acreditar que elas nunca seriam suas. E, se fossem um dia, as dele seriam dela.

Só fui entender a beleza das pedras (ou, no meu caso, estrelas) na minha adolescência. Dois pares de diamantes reluziam ao luar, esperando por mim.
Não me importo com a cor dos olhos dele, para mim sempre serão diamantes, as estrelas da terra.
No entanto, minhas estrelas demoraram a brilhar para ele. Elas estavam ocupadas tendo sua luz sugada por um buraco negro.

Foi então que, com minhas estrelas ofuscadas, eu quebrei as joias de meu irmão, o colecionador de olhares.
Elas reluziam e caíam como vidro, enquanto as minhas eram pura escuridão.

A voz também é um fator importante quando se trata de sentimentos. A melodia na voz de um apaixonado é contagiante, podendo acalmar qualquer coração.

Já a força de um grito pode quebrar qualquer coração.

Quando notei, minhas estrelas viraram joias, que se estilhaçaram.

Muito orgulho, muito medo, muito tarde para refazer a decisão. Fugi o mais rápido com minhas estrelas quebradas, acompanhadas de diamantes preocupados.

Meu desejo era nunca mais ver o rapaz das joias quebradas de novo. No entanto, naquela época, estavamos ligados por rubis. Milhares de pequenos rubis correndo em nossas veias.
Tinhamos toda essa matéria bruta dentro de nós mesmos, mas não soubemos lapidá-la. Ao invés disso, preferimos buscar joias já prontas em outras pessoas, era mais cômodo. Mas nós não sabíamos o quanto esses rubis pesavam. Se soubéssemos, não teríamos os deixado apodrecer daquele jeito.

Não temos mais os mesmos rubis agora, mas não quer dizer que ainda não pesem. Pelo menos para mim pesam.
E muito.
Minhas estrelas endurecem e quebram toda vez que penso neles.

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